O Comércio “Sino-Angolano” no esquema “Prebischiano” de Centro-Periferia: breves lições para o Brasil hoje

Maria Fernanda Freire Gatto Padilha, Alexandre José Gomes de Sá, Claudia Cruz, Cláudio Pereira do Nascimento

Resumo


Com esse artigo – aliando os métodos qualitativo e quantitativo de pesquisa – analisamos a relação comercial bilateral sino-angolana – China-Angola – hodierna com enfoque na questão do petróleo. Como parte de um panorama econômico globalizado, buscamos identificar as assimetrias nessa relação à luz do esquema “Prebichiano” de Centro-Periferia” – elaborado pelo economista Raúl Prebisch no século passado –. A China, um país emergente – em desenvolvimento – (ou já de Centro para alguns pensadores), tem de fato uma economia pujante com uma capilaridade ainda complexa de dimensionar. Enquanto Angola é um país que ainda pode ser conceituado – sob vários aspectos – “subdesenvolvido” (ou seja, um país periférico). Esse artigo pode também ser concebido como mais um passo para entender o que a China almeja econômica, é claro, – mas também politicamente do restante do Continente Africano, do mundo e do Brasil –. Ensejando possibilidades de pesquisar especificamente as relações da China com outros países africanos lusófonos, tais como: Moçambique (fornecedor de madeira para os chineses) e Cabo Verde (fornecedor de pescados para os chineses). Por fim, procuramos extrair das relações comerciais bilaterais sino-angolanas, breves lições para o comércio bilateral sino-brasileiro – China-Brasil – já que a China é hoje o nosso maior parceiro econômico.

 

With this article - combining the qualitative and quantitative research methods - we analyze the Sino-Angolan - China-Angola - bilateral trade relationship today focusing on the oil issue. As part of a globalized economic landscape, we seek to identify asymmetries in this relationship in light of the “Prebichian” Center-Periphery scheme” - elaborated by economist Raúl Prebisch in the last century -. China, an emerging developing country (or already a Center for some thinkers), has indeed a thriving economy with a capillarity that is still complex to scale. While Angola is a country that can still be conceptualized - in many ways - “underdeveloped” (ie a peripheral country). This article can also be conceived as a further step in understanding what China wants economically, of course - but also politically from the rest of the African continent, the world and Brazil -. As a possibility to investigate specifically China's relations with other Lusophone African countries, such as: Mozambique (Chinese wood supplier) and Cape Verde (Chinese fish supplier). Finally, we seek to draw from Sino-Angolan bilateral trade relations, brief lessons for Sino-Brazilian bilateral trade - China-Brazil - as China is today our largest economic partner.

 


Palavras-chave


China; Angola; "Prebischiano"; Centro-Periferia; Brasil

Texto completo:

PDF

Referências


ApexBrasil-Agência Brasileira de Promoção de Importações e Investimentos. Estudo: Angola-Estudo de Oportunidades. 2010. Brasília / DF-Distrito Federal, 2010. Disponível em: http://www2.apexbrasil.com.br/media/estudo/angola_16102012173218.pdf. Acesso: 01 dez. 2018.

CAMPOS, Eduardo; RESENDE, Thiago. China encerrou o ano como o maior parceiro comercial do Brasil. Valor Econômico. Disponível em: http://www.valor.com.br/brasil/2955626/china-encerrou-o-ano-como-o-maior-parceiro-comercial-do-brasil. Acesso: 02 abr. 2018.

CARMODY, Padraig; OWUSU, Francis. A China na Nova Ordem Mundial:impactos políticos e econômico. Capítulo 6: A expansão da China para a África: interesses e estratégias. Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Instituto de Estatística e Economia Aplicada-IPEA. Brasília / Distrito Federal-DF, 2011. Disponível em: http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/livros/livro_achinaglobal.pdf. Acesso: 23 set. 2018.

CASTRO, Antônio Barros De. No espelho da China. Assessor da Presidência do BNDES e Professor Emérito da UFRJ-Universidade Federal do Rio de Janeiro. p. 1, 2011. Disponível em: http://www.gr.unicamp.br/ceav/content/pdf/pdf_textobrasilnoespelhodachina.pdf. Acesso: 02 dez. 2018.

CONDE, José Brito. Cooperação internacional:A cooperação sino-angolana e as repercussões econômicas e sociais geradas na zona envolvente do caminho-de-ferro de Benguela. Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa. Área Científica de Estudos Africanos. Dissertação de mestrado. Lisboa, janeiro de 2009. Disponível em: http://repositorio-iul.iscte.pt/handle/10071/1693?mode=full. Acesso: 28 dez. 2018.

CORAZZA, Gentil. O “regionalismo aberto” da CEPAL e a inserção da América Latina na globalização. Ensaios FEE, Porto Alegre, volume 27, nº 1, maio de 2006. Disponível em: http://revistas.fee.tche.br/index.php/ensaios/article/viewFile/2114/2496. Acesso: 01 dez. 2018.

DOSMAN, Edgar J. RaúlPrebisch (1901-1986): A construção da América Latina e do Terceiro Mundo. São Paulo. Contraponto, 2011.

EVANS, Peter. Será Possível uma Globalização Alternativa? Periferia. Volume 1. Número 1, 2008. Disponível em: http://www.febf.uerj.br/periferia/V1N1/peter_evans.pdf. Acesso: 02 set. 2018.

FIORI, José Luís. O poder global. São Paulo: Boitempo Editorial, 2007.

FURTADO, Celso. Em busca de um novo modelo. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

GOLDENSTEIN, Lídia. Repensando a Dependência. Universidade Estadual de Campinas-Instituto de Economia. Tese de doutorado. Campinas, 1994. Disponível em: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000076927&fd=y. Acesso: 10 dez. 2018.

LIMA, Marcos Ferreira Costa. BRICS - O desafio dos países emergentes. Revista Rumos nº 269-Maio-Junho 2013. Disponível em http://www.abde.org.br/AssessoriaRevistaRumosInterno.aspx?id=1831&titulo=Revista%20Rumos%20n%C2%BA%20269. Acesso: 17 set. 2018.

MACHADO, Luiz. Grandes Economistas XI: RaúlPrebisch e a contribuição da CEPAL.Julho de 2007. RaúlPrebisch nasceu em Tucumán, República Argentina, no dia 17 de abril de 1901. Em 1923, graduou-se em Economia pela Universidade de Buenos Aires, dedicando-se desde então ao ensino e à pesquisa, mas desenvolvendo, paralelamente, uma série de outras funções. Faleceu aos 85 anos, no dia 29 de abril de 1986, na cidade de Santiago do Chile. Disponível em: http://www.cofecon.org.br/index.php?Itemid=114&id=904&option=com_content&task=vie. Acesso: 01 dez. 2018.

MORAIS, Hugo André Pires Miranda. Envolvimento multifacetado da China em Angola. Instituto Superior de Economia e Gestão. Universidade Técnica de Lisboa. Dissertação de Mestrado. Lisboa, Fevereiro de 2011. Disponível em: https://www.repository.utl.pt/handle/10400.5/2960. Acesso: 29 dez. 2018.

MARTI, Michael E. A China de Deng Xiaoping - O homem que pôs a China na cena do século XXI. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Prólogo XIII, 2007.

Ministério das Relações Exteriores-MRE. Departamento de Promoção Comercial e Investimentos-DPR. Divisão de Inteligência Comercial-DIC. Dados Básicos e Principais Indicadores Econômico-Comerciais de Angola. Outubro/2012. Disponível em: http://www.brasilglobalnet.gov.br/ARQUIVOS/IndicadoresEconomicos/INDAngola.pdf. Acesso: 10 dez. 2018.

NASAR, Sylvia. A Imaginação Econômica - Os gênios que criaram a economia moderna e mudaram a história. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

NASSIF, Maria Inês. Exportações - O avanço das commodities. Desafios do desenvolvimento.Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Disponível em: http://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&view=article&id=2513:catid=28&Itemid=23. Acesso: 02 set. 2018.

NationalGeographic. O século da China-Sede de petróleo. Revista NationalGeographic Brasil. São Paulo, 2008.

RICUPERO, Rubens. Prebisch e Furtado: Economistas foram os únicos latino-americanos capazes de elaborar pensamentos originais sobre o desenvolvimento. Folha de São Paulo, 25 de julho de 2011. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2507201104.htm. Acesso: 17 dez. 2018.

ROCHA, Manuel Alves Da. Algumas notas cursivas sobre as perspectivas para Angola em 2011. Opiniões-Jornal Expansão. Angola, 2010. Disponível em: http://expansao.sapo.ao/home/opiniao/manuel_alves_da_rocha/a_ameaca_chinesa_em_africa. Acesso: 14 jan. 2018.

ROSINHA, Maria do Rosário Rebelo de Penha Gonçalves. A China em África: parceria igual ou desigual (Os casos de Angola e Moçambique).Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT) de Lisboa. Dissertação de Mestrado. Lisboa, 2009. Disponível em: http://www.adelinotorres.com/teses/ROSARIO%20ROSINHA_A%20China%20em%20%C1frica.pdf. Acesso: 12 dez. 2018.

RYSDYK, Janaina. A política externa chinesa para a África: uma análise dos casos do Sudão e da Nigéria.UFRGS-Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Programa de Pós-Graduação em Ciência Política. Dissertação de Mestrado. Porto Alegre, 2010. Disponível em: http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/28769. Acesso: 12 dez. 2018.

SIQUEIRA, A. André. Lições esquecidas: Segundo o biógrafo de RáulPrebisch, a obra do pensador é negligenciada na América Latina.

SOUZA, Antônio Renildo Santana. As relações entre a reforma do Estado e a dominação do capital na China: As transformações pós-1978. Universidade Federal da Bahia-UFBA. Escola de Administração. NPGA-Núcleo de Pós-Graduação em Administração. Tese de doutorado. Salvador, 2007. Disponível em: http://www.adm.ufba.br/sites/default/files/publicacao/arquivo/tese_antonio.pdf. Acesso: 04 dez. 2018.

SUKUP, Viktor. A China frente à globalização: desafios e oportunidades. Revista Brasileira Política Internacional. Volume 45. Número 2, 2002. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-73292002000200005&lng=en&nrm=iso. Acesso: 06 dez. 2018.

WALTER, Luís Fernando da Costa. Angola:O Papel e Contributo do Sector dos Petróleos de Angola no Desenvolvimento Socioeconômico do País. Desafios e Expectativas (1975-2005). ISCTE. Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa. Área Científica de Estudo Africanos. Dissertação de mestrado, 2007. Disponível em: http://repositorio-iul.iscte.pt/bitstream/10071/656/1/TESE%20NOVEMBRO%20ACTUALIZADA.pdf. Acesso: 05 dez. 2018.

XAVIER, Nathaly Silva. A política externa chinesa e a recepção dos países africanos:o contraste entre Zâmbia e Angola (1989-2009). UFRGS-Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Programa de Pós-Graduação em Ciência Política. Dissertação de mestrado. Porto Alegre, 2011. Disponível em: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/29395/000776662.pdf?sequence=1. Acesso: 02 dez. 2018.




DOI: https://doi.org/10.28950/1981-223x_revistafocoadm/2019.v12i3.691

##plugins.generic.alm.title##

##plugins.generic.alm.loading##

Metrics powered by PLOS ALM

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2019 Revista Foco

e-ISSN: 1981-223x 

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.