O IMPERATIVO DA GESTÃO DE SI NA CULTURA CAPITALISTA CONTEMPORÂNEA E SUAS IMPLICAÇÕES PARA A SAÚDE PSÍQUICA

Maria Regina Cariello Moraes

Resumo


O texto discute as competências emocionais requeridas pelo mercado de trabalho como parte de um novo modelo de conduta relacionado ao empreendimento de si próprio, disseminado nas últimas décadas, a partir de ambientes corporativos. A conduta de gestão de si é um padrão de racionalidade empresarial aplicado à vida cotidiana. Envolve planejamento, estratégia, autocontrole emocional e intervenção na própria personalidade, visando construir um vencedor. O impacto da cobrança por requisitos subjetivos, característica da nova organização capitalista, foi tema de análise de alguns autores que apoiarão a discussão. As inovações organizacionais geraram ansiedades, temor de fracasso, de inutilidade, de dependência, de não atender a expectativa de autonomia. Diante da insegurança causada pela instabilidade econômica, pelo aumento do desemprego e predomínio de trabalhos informais, adquirir habilidades emocionais e adequar-se aos requisitos impostos pelo mercado profissional passou a ser questão de sobrevivência. Nesse sentido, a gestão de si adquire uma dimensão imperativa na cultura capitalista contemporânea, mas, paradoxalmente, pode gerar mais estresse e interferir de maneira negativa na produtividade dos trabalhadores.


Palavras-chave


Sociologia da administração; Nova gestão; Gestão de si; Autocontrole emocional

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DOI: https://doi.org/10.28950/1981-223x_revistafocoadm/2015.v8i1.143

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